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A hora da decisão

Passando o Carnaval, chega a hora de encarar a preparação para o vestibular de maneira séria e responsável. A notícia boa é que dá para planejar o futuro e escolher uma profissão alegremente.

Ter 17 anos não é fácil. Além de todas as angustias naturais desta fase, os infinitos questionamentos sobre a vida, o corpo e a existência, os jovens ainda são obrigados a enfrentar um monstro chamado vestibular junto com seu exército de medos. Mas quem é realmente capaz de saber o que fazer pelo resto da vida nesta idade? Quem é capaz de escolher uma profissão, e seguir nela, assim de primeira? Certamente, bem poucas pessoas. É por isso que muitos psicólogos, pedagogos e profissionais especializados na capacitação profissional vêm dizendo aos jovens que deixem de lado essa pressão, abandonem o mito da profissão e voltem a atenção a si mesmos, na melhor tentativa de descobrir suas aptidões e talentos. Assim, mais importante que saber que opções de cursos incluir no formulário de inscrição do vestibular é saber reconhecer em si mesmo as características necessárias para seguir uma determinada profissão. Seja ela gostar de matemática, ser um bom orador, cantar ou ter facilidade para línguas, imaginar-se escrevendo, tratando pessoas ou cuidando de máquinas.

Para chegar ao nível de autoconhecimento necessário para a escolha de uma profissão, o jovem deve aprender a se observar e ficar atento para a maneira como ele se relaciona com as pessoas e o mundo. “Realizar anotações diárias pode ajuda-lo bastante, assim como identificar aquilo que você faz com facilidade e de forma natural, sem esforço”, ensina a psicóloga e coaching Rafaela de Faria, proprietária do ICOP (Instituto de Carreira e Orientação Profissional). “Perguntar sobre suas próprias características para pessoas próximas também é útil neste processo.

Os famosos testes vocacionais forçam os estudantes a uma reflexão sobre suas aptidões e preferencias. Por isso costumam funcionar tão bem e ainda serem apontados como o melhor amigo do vestibulando indeciso. Normalmente seguido de uma orientação de carreira ministrada por um especialista no assunto, ele pode não resolver o problema, mas certamente facilitará a escolha.

E ao contrário do que muita gente imagina, os pais devem se manter atentos ao longo de todo esse processo e policiar os seus próprios atos. Porque entre os estudiosos dessa área, há um consenso a respeito da influência negativa que eles podem exercer sobre os filhos. “Existem aqueles pais que verbalizam suas preferências de cursos e profissões; os que preferem deixar os filhos livres para escolher; e os outros que não verbalizam, mas por meio de comportamentos não conscientes acabam influenciando também”, enumera Rafaela.

Sem estresse

O vestibular marca a primeira grande e verdadeira decisão na vida de boa parte dos adolescentes. Enquanto antes o máximo que eles escolhiam era a roupa, o esporte, ou o curso de línguas de sua preferência, a partir do último ano do Ensino Médio ele se veem frente a frente com uma escolha que poderá marcar de maneira decisiva suas vidas. A angústia e a ansiedade são, portanto, normais. E até naturais. “O adolescente está prestes a entrar em um universo desconhecido, repleto de novidades, exigências, conteúdos. Esse desconhecido gera ansiedade do que está por vir, então a melhor maneira de lidar com essa fase é procurar informações. Quanto mais dados ele tiver sobre a profissão que deseja seguir, por exemplo, menos desconhecida ela parecera para ele”, ensina a psicóloga Maria Alice Claro, coordenadora de Gestão de Pessoas e Desenvolvimento Gerencial da pós-graduação da FAE Centro Universitário.

Outra maneira de aplacar o nervosismo é lembrar que ninguém precisa seguir para sempre o curso escolhido como primeira opção no vestibular. “Muitas pessoas realizam a escolha, se formam na área e seguem na profissão durante toda a vida. Contudo, é possível e, muitas vezes, saudável e necessário rever a rota e realizar uma ou mais novas escolhas que podem ser diferentes da escolha inicial”, ameniza Rafaela. Melhor assim, não?

Entrevista veiculada na revista Iate Clube Guaratuba.